O Bandeirinha

Nas ruas de Pyongyang já não ouviam-se carros nem passos.
Nas bases militares não ouviam-se tiros nem marchas.
Nas fábricas, não ouviam-se engrenagens nem motores.
Por toda a Coréia do Norte ouviam-se apenas os gritos de comemoração dos 23 milhões de cidadãos. O jogador, vestia vermelho e tinha um penteado estranho. No verso da sua camisa, o nome que todos balbuciavam em êxtase, num inteligivel coro: Jong-Il.

De um momento para o outro, cessaram-se os sons. 23 milhões se calaram. Só havia o vento.

Ninguém poderia acreditar. Na lateral direita do campo, a camera focaliza o célebre bandeirinha. O juiz de linha, o auxiliar de arbitragem. Seu semblante era sério. Não estava para brincadeiras. Nem ouvia a torcida de Ahmadinejad e Chavez. Sua pequena flâmula azul estava erguida.

Anulado. O gol foi anulado. Aos 41 minutos do segundo tempo. De um jogo crucial.

Curiosamente, a torcida de Jong-Il permanece calada. O próprio Jong-Il não parece se abalar com o fato. É estranho.

A impressão é de mais um jogo perdido. É díficil jogar contra o campeão da copa. O bandeirinha da esquerda não viu nada. Mas ninguém vai contestar. A regra é clara.

Em tempo: Ainda faltam quatro minutos de tempo regulamentar, mais os acréscimos.

* Postado originalmente por Daniel Rio Tinto na versão (local) anterior deste blog, no dia 24/10/2006.

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