Gol de Placa

Kim Jong Il faz a finta, dribla Bush pela esquerda, Putin pela direita, dá um balãozinho no Hu Jintao e avança pro gol. Na arquibancada, Hugo Chavez e Mahmoud Ahmedinejad puxam uma “ola”. Na torcida adversária, os japoneses e sul-coreanos se desesperam. Pro delírio da galera, Kim mete aquela bomba (yes, pun very much intended)… e não tem ninguém pra agarrar. Agora não adianta a ONU apitar impedimento; quem não se concentra na defesa e conta com a passividade do time adversário leva gol. Simples assim.

Deixando de lado por um momento a analogia do futebol, o que podemos esperar do desenrolar da presente situação:

Sem a participação plena da China, a aplicação das sanções sobre a Coréia do Norte não será feliz. A Coréia do Norte seguirá como anunciado e responderá à pressão internacional intensificando seu programa nuclear tal como a modernização de suas Forças Armadas, especialmente no que diz respeito à produção e o desenvolvimento de tecnologia balística.

A isso se espera que o Japão reaja avançando a implementação do novo sistema americano de mísseis anti-balísticos PAC-3 (iniciativa que tomou força especialmente após o teste, ainda que mal-sucedido, do Taepodong-2), assim como de sistemas auxiliares, minando o efeito deterrente da bomba coreana. É também possível que esta crise garanta ao primeiro ministro japonês Shinzo Abe o apoio necessário para a revisão ou até mesmo reforumlação do artigo nono de sua constituição, que impõe severos limites sobre a capacidade ofensiva japonesa. É também sábio atentar para o fato de que o profundo comprometimento estadunidense para com o Japão, emblematizado pelo tratado de cooperação nipo-americano, surgiu da Guerra da Coréia. Neste sentido, não podemos exlcuir a possbilidade de que a presente crise ponha novamente em questão o estabelecimento de uma organização de cooperação funcional na área de segurança, tal qual a OTAN, ou até o ingresso do Japão na mesma.
A resposta sul-coreana à atividade hostil do norte deve seguir as mesmas linhas da reação japonesa: Maior aproximação estratégica com os EUA/OTAN e outros parceiros tradicionais, e mobilização e modernização das forças armadas. Isto é, podemos esperar comportamento de balancing, tanto interno quanto externo.

Espera-se que a China reaja com igual veemência, ainda que por motivos distintos. Fazendo jus a seu papel de potência regional e, ainda mais importante, potência nuclear, a China deverá contrabalancear a crescente presença estadunidense na região e repreender a Coréia do Norte por abalar a frágil estabilidade do sub-sistema asiático, incitando um reaquecimento das hostilidades, convidando atenção indesejada e, last but not least, violando mais uma vez o regime de não-proliferação nuclear, tão prezado pelos nuclear-weapon-states do TNP. Este counterbalancing por parte da China teria como conseqüência, por sua vez, a desestabilização do sub-sistema sul-asiático, já nuclearizado. Vale notar que a China está praticamente cercada por estados nucleares: Paquistão e India a oeste/sudoeste, Rússia ao norte e Coréia do Norte a leste/nordeste. Esta é uma situação pouco confortável. No entanto, como principal garantidora da segurança, ou melhor, da precária existência norte-coreana, não se deve esperar que a República Popular da China apoie medidas mais contundentes por parte do CSNU.

Ao mesmo tempo, do outro lado do pacífico, os EUA têm utilizado a “ameaça norte-coreana” como justificativa para reaquecer o programa de mísseis anti-balísticos (estendido ao Japão, como apontado acima), que tem como verdadeira intenção a neutralização da ameaça chinesa. A adoção desta posição por parte dos EUA teria como provável efeito a inversão da tendência de redução do arsenal russo e (parafraseando o Waltz) da moderação extremada do programa nuclear chinês, agravando assim, o, agora claro, padrão de desconfiança, misperception e overbalancing, que caracteriza o modelo espiralóide de escalada do conflito aparente.

Por último, a virtual impunidade da Coréia do Norte na presente crise reitera a posição, já senso comum, de que defecções neste sentido não são respondidas à altura, dando aparente carta branca ao Irã, que se recusa a abrir mão de suas ambições nucleares.

Worst Case Scenario:
North Korea responds to the sanctions imposed by the UNSC with the use of force, possibly attacking foreing ships performing inspections and/or blockades. The case is taken to the UN, where China vetoes any resolution sanctioning military action against its ally. A coallition of the willing lead by the US invades North Korea, in both defensive and preventive fashion, hoping to disarm it before it achieves “second-strike capability”. As an immediate response to the invasion of North Korea, China seizes Taiwan.

* Postado originalmente por Dani Nedal na versão (local) anterior deste blog, no dia 17/10/2006.

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